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Autonomia como fator essencial para conselhos mais eficientes

Dentre as principais demandas na agenda dos conselhos de administração está o resultado, performance e metas econômico-financeiras. É o que apontou a pesquisa EY Center for Board Matters, apresentando as principais prioridades dos conselhos para 2022.

O relatório apontou cinco pontos prioritários nos quais a alta gestão das empresas deve empenhar esforços e atenção: ambiente regulatório e políticas públicas; transformação digital e uso adequado de novas tecnologias, como Inteligência Artificial, machine learning e blockchain; cultura e propósito da organização; planejamento estratégico de longo prazo e alocação de capital e resultado e performance e metas econômico-financeiras.

Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC):

“O Conselho de Administração é o órgão central da Governança Corporativa e responsável, dentre outros aspectos, pelo direcionamento estratégico de uma organização.”

O IBGC também define o papel do Conselho de Administração como o elo entre a propriedade e a gestão para orientar e supervisionar a relação desta última com as demais partes interessadas.

O planejamento financeiro envolve a identificação das diretrizes financeiras presentes no planejamento estratégico da empresa, assim como o mapeamento da estrutura financeira para conhecer o desempenho, necessidades e expectativas.

Após o processo inicial devem ser identificados os vetores de criação de valor para o negócio e a definição das estratégias, objetivos e metas. Em seguida, a abordagem é desdobrada em ações estratégicas e na estruturação de um modelo financeiro que engloba projeções e cenários de planejamento.

Mas para garantir a eficiência do conselho é fundamental se atentar aos principais papéis desempenhados pelo órgão, assim como para a responsabilidade individual de cada membro.

Vale a reflexão básica de que o conselho é formado por pessoas, sendo assim, mais do que repensar fatores técnicos e teóricos, o órgão demanda posturas e comportamentos adequados ao assumir a cadeira.

O que tem comprometido a eficiência dos conselhos?

Um dos problemas recorrentes entre as organizações é o conselho “chegar atrasado” na definição estratégica, além disso, o problema pode se intensificar quando as demandas e prioridades em torno da sustentabilidade e responsabilidade empresarial estão no topo da lista de prioridades estratégicas.

O conselho tem o desafio de compreender o seu papel ativo na criação estratégica e quanto mais se apropriar dessa expertise, maior será sua capacidade de intervenção para auxiliar a organização a aproveitar melhor as oportunidades, como aquelas relacionadas a aquisições e à geração de valor sustentável para o negócio.

Além disso, vale o alerta do quão essencial é que exista diversidade no conselho, ou seja, inúmeras perspectivas e diferentes habilidades para uma criação estratégica bem-sucedida.

E claro, o conselho tem o papel de assegurar a viabilidade financeira da organização, assumindo uma posição relevante na tomada de decisões financeiras, assim como a responsabilidade de garantir níveis adequados de endividamento e avaliar benefícios em torno de investimentos e aquisições.

Neste ponto, entra um dos fatores essenciais da atuação do conselheiro que é estar inteirado sobre as atividades financeiras da empresa, por meio de informações prestadas para, em caso de inconsistência, questionar o balanço apresentado.

A eficiência no conselho está mais relacionada à capacidade dos membros de não se “dobrar” diante das pressões externas, colocando a transparência e a responsabilidade empresarial como os principais crivos de avaliação de posturas e procedimentos.

Além disso, é crucial que o conselho conte com uma presidência eficaz, que valorize e defenda o papel do órgão e se empenhe na garantia de que haja a implementação dos processos adequados.

Relação entre conselho e alta gestão – hábitos indispensáveis

Um conselho eficiente é aquele que age de forma autônoma, não no sentido de tomar decisões alheias aos objetivos da organização, mas que consiga se manter íntegro a ponto de conseguir nortear a alta gestão da empresa com base na preservação de seus princípios éticos.

Segundo pesquisa realizada pela Fortune 1000, publicada pela Deloitte, foi mostrado que para os CEOs entrevistados, “o conselho do futuro é estratégico”.

Se antes os conselhos eram vivenciados dentro das organizações como órgãos distantes da dinâmica empresarial e que se encontravam periodicamente para dar aval às decisões da administração, hoje se espera um envolvimento ativo na interpretação de dinâmicas complexas de mercado e na definição de uma visão clara para o futuro da organização.

Foram apresentados sete passos estratégicos fundamentais para um conselho eficaz, com base na interação entre CEOs e conselho, sendo assim, serão apresentados a seguir alguns deles.

Tudo começa com o CEO

Um dos entrevistados da pesquisa, afirmou:

“Tudo começa com o CEO: ao determinar seu grau de abertura, ao direcionar o que o conselho quer e ao articular o que seus integrantes precisam fazer.”

A complexidade de um conselho mais autônomo na criação estratégica também está ligada ao relacionamento entre board e alta direção da empresa.

Grande parte dos conselhos não está assumindo posição ativa na contribuição estratégica, porque esperam pela orientação e liderança do CEO.

O relacionamento e o compartilhamento de informações aquém do esperado, afeta diretamente para que o conselho sinta-se plenamente qualificado para direcionar temas de relevância e destaque para a organização.

Essa deferência frente à administração costuma impactar em um conselho mais passivo, em que os membros se submetem às decisões do CEO.

Sendo assim, se torna um desafio que CEOs orientem o tom de comunicação entre conselho e organização, de maneira que o papel do conselho seja cada vez mais eficiente, porém, essa é uma mudança cultural complexa de ser realizada, pois muitos conselhos ao retornarem feedbacks à alta gestão têm receio de apresentar a realidade tal como é, não conseguindo encontrar o limite entre falar o que deve ser dito sem que isso pareça “inapropriado”, afinal, essa é a atuação que se espera de um conselho eficiente.

Agir com transparência

Os executivos de conselho entrevistados pela pesquisa publicada pela Deloitte, também afirmaram desejar que os CEOs tenham sucesso, sendo assim, assumem o papel de incentivá-los para que sejam abertos e transparentes.

Quando o CEO não age com transparência, não solicita feedbacks ou não se dispõe a lidar com eles, geralmente assume uma postura defensiva como se o conselho representasse uma ameaça.

Sendo assim, é fundamental que o relacionamento entre alta gestão e conselho seja aprimorado de maneira que ambos compreendam o quanto os seus respectivos papéis são importantes e devem se complementar.

Tirar proveito das tensões

A tensão é uma das principais características dos conselhos e é a diversidade de pensamentos que torna o exercício do board junto à alta gestão tão relevante à organização.

A tensão deve ser enxergada como um fator estratégico fundamental para a promoção de um diálogo de qualidade para que assim possam surgir melhores resultados.

Conselhos estratégicos têm a tensão como um recurso que pode ser utilizado para o bem maior da organização.

Conselhos eficientes vão muito além das reuniões

Muitas organizações estão acostumadas a uma dinâmica de interação com os seus conselhos por meio de algumas reuniões anuais. Sendo assim, se torna importante repensar novas maneiras de fomentar relacionamentos com membros do conselho em um diálogo casual e aberto sem a pressão por conta da avaliação de desempenho de uma reunião.

Estabelecer um relacionamento mais próximo com cada membro do conselho além das reuniões formais é uma das maneiras em que a alta gestão pode encorajar o comportamento estratégico para obter os melhores resultados em cada ação.

Para um conselho de administração eficaz, é preciso:

  • Assumir as rédeas da estratégia;
  • Montar equipe executiva de ponta;
  • Atrelar remuneração e resultados;
  • Garantir viabilidade financeira;
  • Casar risco com retorno;
  • Administrar reputação da empresa;
  • Implementar bons processos no conselho.

A compreensão do conselho sobre os seus papéis é fundamental, sendo a estratégia uma de suas principais demandas e quando a organização consegue entender a atribuição de funções de cada departamento que faz parte do corpo da empresa, se torna muito mais eficiente o desempenho de cada um deles.

O conselho é um órgão essencial que agrega valor à organização, ajudando a alta gestão a se manter firme em sua motivação diante de qualquer adversidade. Autonomia é preciso e, para isso, a responsabilidade individual de cada conselheiro é primordial.

 

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Conselho Consultivo – estruturando organizações para práticas de governança eficientes

Sustentabilidade na pauta dos conselhos – quando o propósito antecede o lucro

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