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Caso Mappin – falhas que levaram ao fechamento de uma das maiores lojas de departamento

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Na década de 1970 e 1980, o Mappin era uma das principais lojas às quais os paulistanos recorriam quando necessitavam de algum produto, com destaque para os eletrodomésticos.

O Mappin foi uma das principais lojas de departamento, que começou a sua trajetória a partir da década de 1910. As principais novidades em inúmeras categorias de produto poderiam ser encontradas lá e, além disso, as lojas fechavam à meia-noite, o que era um diferencial para a época.

Com ampla experiência no cenário corporativo, atuando como conselheiro consultivo e consultor à frente da MORCONE Consultoria Empresarial, auxiliando principalmente empresas familiares, hoje desejo abordar sobre o caso Mappin e o que levou a empresa ao fechamento de portas.

Caso Mappin – De um cenário de crescente crescimento à falência

O Mappin foi inaugurado oficialmente em 1913 em São Paulo pelos irmãos Walter John Mappin e Herbert Joseph Mappin.

A empresa foi originada com o objetivo inicial de atender a alta sociedade com a venda de cristais, louças, pratarias, porcelana, entre outros produtos sofisticados.

A loja oferecia principalmente produtos importados e serviços, além de ser um ponto de encontro popular para a elite paulistana. Em 1919, com 34 departamentos e mais de 200 funcionários, a loja mudou-se para a Praça do Patriarca (localizada na região da Sé em São Paulo) em busca de um espaço maior.

Reinvenção da loja e revisão do público-alvo

quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929 levou a empresa a se reinventar, tornando-se precursora do crediário, além de inovar na maneira de se comunicar e de apresentar os preços dos produtos em suas vitrines.

Em 1936, os irmãos Mappin deixaram a sociedade e quem assumiu como maior acionista da loja foi o inglês Mr. Alfred Sim, trazendo ao Mappin um novo modelo de gestão, enfatizando a diversificação de produtos nacionais como roupas, móveis, objetos de decoração, entre outros.

década de 1940 e a aceleração econômica da época levaram inúmeros segmentos de negócios a ter de se reinventar, afinal, a concorrência se tornava maior. Em 1950, o Mappin foi vendido para o empresário do café, Alberto Alves Filho.

Em resumo, uma das maiores lojas de departamento esteve em seu auge nas décadas de 70, 80 e início de 90, tendo investido assertivamente em campanhas publicitárias que atraíam milhares de compradores.

Em 1984, o Mappin foi considerado a empresa do ano pela revista Exame como a melhor empresa de varejo dos dez anos anteriores.

A empresa, apesar do crescimento em 1995 expandindo para doze lojas apresentava problemas financeiros, o que trouxe à tona prejuízo de quase 20 milhões de reais.

O Mappin foi extinto como loja em 1999, com trezentos pedidos de falência e uma dívida exorbitante de R$1,2 bilhão, mas só foi vendida em 2010 para a Rede Marabraz, em leilão público.

Além disso, o caso Mappin também foi marcado por escândalos com a condenação por gestão fraudulenta do então proprietário da empresa, Ricardo Mansur, a seis anos de reclusão em regime semiaberto por crime de gestão temerária de instituição financeira.

Entenda o que levou o Mappin ao fechamento de portas

O caso Mappin gera reflexões e serve como alerta a empresas do setor varejista. Confira os principais motivos que levaram ao fechamento de portas dessa grande loja de departamento:

Mudanças no mercado de varejo

Na década de 1990, o setor varejista passou por grandes mudanças devido à estabilização econômica do Plano Real. O aumento do poder aquisitivo e a maior disponibilidade de crédito estimularam o consumo e a demanda por produtos e serviços, permitindo também a entrada de empresas estrangeiras no mercado brasileiro.

Este aumento da competitividade no setor varejista levou muitas empresas a tomadas de decisões baseada na urgência sem a devida estruturação e estratégia, resultando em boa parte dos casos, em problemas de gestão em geral, com ênfase na gestão financeira.

Gestão ineficaz

A má gestão foi um dos fatores de destaque para o insucesso no caso Mappin, combinando as dificuldades de gerenciamento dos fornecedores e o crescimento inorgânico por meio da aquisição de novas lojas.

Mas, sem dúvidas, as operações financeiras arriscadas e fraudulentas foram a principal razão do insucesso do Mappin, o que reforça a ausência de práticas de governança corporativa na empresa para a garantia principalmente da transparência e da responsabilidade corporativa.

Dívidas exorbitantes

Ao longo dos anos, o Mappin acumulou uma quantidade crescente de dívidas, o que levou a sérios problemas financeiros. Isso afetou a habilidade da empresa de sustentar suas operações diárias, pagar fornecedores e funcionários em dia, além de investir na modernização de suas lojas e sistemas.

As dívidas também restringiram a capacidade da empresa de competir no mercado, pois não conseguia destinar recursos para iniciativas de crescimento ou inovação.

Queda nas vendas

Dois fatores foram cruciais para a redução nas vendas no caso Mappin: aumento da concorrência e mudanças nos hábitos de consumo dos clientes.

Como já mencionado anteriormente como consequência do Plano Real, a abertura do mercado impactou no aumento da concorrência e em mudanças nos hábitos de consumo dos clientes.

A ampliação da concorrência levou muitos consumidores a uma enorme gama de variedades de produtos, assim como a preços mais competitivos.

Escândalos e má reputação da empresa

Se não bastassem os desafios econômicos e operacionais, o Mappin também foi abalado por inúmeros escândalos financeiros, assim como por conflitos internos que afetaram profundamente sua reputação e confiança no mercado.

Já abordei em alguns artigos sobre a reputação como um dos ativos mais valiosos de uma marca, por isso, inclusive, recorrentemente abordo sobre a gestão de riscos e de crise.

Os escândalos envolvendo o caso Mappin criaram uma atmosfera de desconfiança entre os investidores, que se viram obrigados a retirar apoio financeiro, assim como a romper com a parceria e, claro, a perda de credibilidade também fez minar a confiança dos consumidores da marca.

Recuperação judicial e falência

Durante o processo judicial em 1999, o Mappin enfrentou inúmeros desafios e um dos principais agravantes foi a falta de um plano de recuperação sólido. As propostas apresentadas eram incapazes de convencer os credores de que a empresa seria capaz de se recuperar financeiramente.

Aliás, dificilmente empresas que chegam a pedido de falência conseguem se reerguer, isso porque o descontrole da gestão ao longo dos anos levou à escalabilidade dos problemas a um ponto em que já não se pode mais controlar a situação para um nível de estabilidade que estimule novo crescimento.

Transparência por meio de uma governança corporativa sólida

Não há meio mais eficiente para assegurar a perenidade de um negócio do que adotar práticas de governança corporativa eficazes, assim como práticas ESG.

Quando a empresa não sabe como iniciar nas práticas de governança, começar pelo conselho consultivo é indicado para o norte quanto ao melhor caminho para a profissionalização da gestão.

Hoje o Mappin conta com um serviço de e-commerce (desde 2019) e provavelmente você, que conheceu sua história de sucesso na década de 1990, nem saiba disso.

Existem oportunidades únicas, que quando não aproveitadas, não vão mais acontecer, por isso faça diferente, pense na transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade como meios indispensáveis para mais do que sobreviver no mercado, se manter relevante.


 

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