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Dados, governança e decisões: onde os números encontram seus limites

Conselho consultivo amplia a qualidade da decisão ao interpretar dados financeiros com visão estratégica e governança.

Empresas investem cada vez mais em relatórios, sistemas de gestão e indicadores financeiros.

Já as controladorias estão mais estruturadas, com ERPs mais completos e dashboards mais sofisticados. Mas ainda assim, as decisões estratégicas continuam falhando, inclusive nas empresas que “têm números na mesa”.

Esse paradoxo é mais comum do que parece.

Ao longo da minha atuação auxiliando empresas, principalmente empresas familiares brasileiras, fica evidente que o problema raramente está na ausência de dados.

Relatórios, indicadores e demonstrativos financeiros, na maioria das vezes, estão disponíveis e atualizados.

O desafio aparece na leitura superficial dessas informações e na expectativa equivocada de que os números, isoladamente, sejam capazes de conduzir decisões estratégicas.

Números não tomam decisões. Quem decide são as pessoas.

E é justamente nesse ponto que entram a qualidade da decisão, a controladoria estratégica e o papel estruturante de um conselho consultivo.

Com ampla experiência no ambiente corporativo, atuando como Advisor à frente da MORCONE, tenho auxiliado e orientado empresas, especialmente empresas familiares brasileiras a se estruturarem para chegar aos 100 anos.

Neste artigo, proponho uma reflexão sobre como dados financeiros orientam a gestão, mas dependem de interpretação estratégica e de estruturas de governança, como o conselho consultivo, para sustentar decisões mais consistentes e de longo prazo.

Quando informação não se transforma em decisão

Nunca estivemos tão voltados para os dados, quanto nos últimos anos, ainda mais no cenário corporativo.

Demonstrativos financeiros são fechados mensalmente, indicadores são acompanhados e análises comparativas fazem parte da rotina.

Ainda assim, erros relevantes seguem acontecendo.

Segundo matéria publicada pelo portal Contábeis9 em cada 10 PMEs enfrentam crises provocadas por má gestão financeira.

Esse dado, por si só, já indica que o desafio não está apenas em “ter números”, mas em como eles são interpretados e utilizados.

Na prática, muitas decisões equivocadas surgem de situações como:

  • Relatórios analisados de forma isolada, sem conexão com a estratégia;
  • Indicadores avaliados sem contexto operacional ou mercadológico;
  • Resultados históricos tratados como previsões confiáveis de futuro;
  • Falta de questionamento crítico sobre tendências e desvios.

Ou seja, a informação existe, mas nem sempre é acompanhada por uma reflexão estratégica.

A controladoria como insumo, não como resposta

A controladoria estratégica é um dos pilares mais importantes das finanças empresariais, é o que organiza dados, estrutura informações e oferece uma visão consistente da realidade econômica do negócio.

No entanto, há um equívoco recorrente: esperar que a controladoria “responda” sozinha às grandes decisões, porém este instrumento não foi criado para isso.

A controladoria subsidiará a decisão, mas não a tomará. Seu papel é fornecer clareza, consistência e confiabilidade aos números.

A decisão final, por outro lado, exige interpretação, ponderação de riscos, visão de longo prazo e entendimento do contexto humano e estratégico da empresa.

Quando a controladoria é tratada como resposta final, e não como insumo, dois riscos aparecem:

  1. Decisões tecnicamente corretas, mas estrategicamente equivocadas;
  2. “Paralisia decisória”, quando os números não oferecem uma “resposta óbvia”.

É nesse espaço, entre o dado e a decisão, que a governança se torna indispensável.

Qualidade da decisão não depende de mais dados, mas de questionamentos assertivos

Um erro comum em ambientes de gestão é acreditar que decisões ruins decorrem da falta de informação. Na realidade, más decisões surgem, com frequência, da leitura superficial da informação disponível.

Melhorar a qualidade da decisão não significa empilhar relatórios, mas sim:

  • Fazer as perguntas certas;
  • Confrontar números com a realidade operacional;
  • Avaliar consequências de médio e longo prazo;
  • Considerar cenários e riscos não explícitos nos demonstrativos.

Decidir bem exige método, experiência e, sobretudo, distanciamento emocional, algo difícil para quem está imerso na rotina do negócio.

É por isso que estruturas de governança, como o conselho consultivo, fazem tanta diferença.

O papel do conselho consultivo na leitura estratégica dos números

Um conselho consultivo bem estruturado atua como ponte entre dados, contexto e estratégia. Seu papel é provocar, questionar e ampliar o campo de visão.

Ao analisar informações financeiras, conselheiros experientes costumam ir além do resultado imediato e observar sinais como:

  • Crescimento de receita sem geração proporcional de caixa;
  • Margens pressionadas por custos fixos crescentes;
  • Endividamento desalinhado com o ciclo financeiro do negócio;
  • Dependência excessiva de receitas pontuais ou concentradas;
  • Investimentos que consomem caixa sem retorno estratégico claro.

Esses pontos, isoladamente, podem parecer aceitáveis. Em conjunto, porém, revelam riscos relevantes, muitas vezes invisíveis para quem está focado na operação.

O conselho consultivo contribui justamente para elevar o nível da conversa, conectando a controladoria estratégica à visão de futuro da empresa.

Finanças empresariais exigem governança, não apenas controle

Controlar é necessário. Governar é indispensável.

Nas finanças empresariais, isso significa sair de uma lógica puramente reativa, olhar o que já aconteceu e avançar para uma postura mais estratégica, capaz de antecipar cenários e orientar decisões críticas.

Conselhos consultivos costumam estimular práticas que fortalecem essa maturidade, como:

  • Análises integradas entre DRE, fluxo de caixa e balanço patrimonial;
  • Projeções financeiras conectadas à estratégia, não apenas ao histórico;
  • Discussões estruturadas sobre retorno de investimentos;
  • Avaliação recorrente de riscos financeiros e operacionais.

Esse processo não elimina incertezas, mas reduz significativamente decisões baseadas em intuição isolada ou em leituras apressadas dos números.

Decidir bem é um exercício coletivo

Um dos maiores ganhos de um conselho consultivo está na diversidade de visões. Decisões estratégicas raramente são puramente técnicas, pois envolvem pessoas, cultura, mercado, sucessão, crescimento e perenidade.

Quando decisões relevantes ficam concentradas em poucos indivíduos, ou em uma única leitura financeira, o risco aumenta.

A experiência mostra que decisões mais consistentes surgem quando:

  • Os dados são confiáveis;
  • O contexto é bem compreendido;
  • As perguntas difíceis são feitas;
  • Existe espaço para discordância qualificada.

Esse ambiente é exatamente o que um conselho consultivo bem conduzido proporciona.

Governança não engessa, qualifica

Ainda existe a percepção de que conselhos “atrasam” decisões ou tornam a empresa mais rígida. Na prática, ocorre o oposto.

Empresas com estruturas mínimas de governança costumam:

  • Decidir com mais clareza;
  • Reduzir retrabalho estratégico;
  • Evitar movimentos impulsivos;
  • Proteger o caixa e a continuidade do negócio.

Governança não substitui liderança. Ela qualifica a liderança.

Dados orientam, mas a governança decide

Relatórios são fundamentais. Indicadores são indispensáveis. A controladoria estratégica é um ativo valioso. Mas nenhum deles toma decisões sozinho.

No fim, decisões são humanas, envolvem julgamento, responsabilidade e visão de futuro.

Por isso, a pergunta mais relevante não é se sua empresa tem números suficientes, mas sim:

Existe um ambiente de governança capaz de interpretar esses números com profundidade e responsabilidade?

Porque dados orientam caminhos. Mas é a governança, principalmente por meio de um conselho consultivo, que define quais caminhos fazem sentido seguir.

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