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O papel do conselho consultivo em preservar a humildade nas lideranças

O sucesso pode cegar líderes confiantes. Descubra como o conselho consultivo preserva a humildade e fortalece a governança.

“O maior inimigo de uma organização é o próprio sucesso”.

Essa foi uma das reflexões no Conforme apontado no 26º Congresso do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), trazida por David Feffer, presidente do Conselho de Administração da Suzano S/A.

No ambiente da liderança corporativa, o sucesso é frequentemente tratado como a prova definitiva da competência de uma empresa e de seus executivos.

Entretanto, conforme alerta David Feffer, esse mesmo sucesso pode se tornar o gatilho de um perigoso estado de autossuficiência, onde a humildade cede lugar à soberba, e a escuta é substituída pela certeza.

Com ampla experiência no ambiente corporativo, atuando como Advisor à frente da MORCONE, tenho auxiliado e orientado empresas, especialmente empresas familiares brasileiras a se estruturarem para chegar aos 100 anos.

Neste artigo, reflito sobre o papel silencioso, porém decisivo, desempenhado pelo conselho consultivo: o de preservar o senso de realidade e promover a governança corporativa como um exercício contínuo de autoconhecimento e aprimoramento.

Sucesso: o paradoxo que testa a humildade

Em sua essência, o sucesso deveria fortalecer a cultura organizacional. No entanto, ele tende a gerar um efeito contrário se não for equilibrado por mecanismos de governança.

Segundo artigo publicado pela PMC PubMed Central sobre os impactos dos vieses cognitivos nas decisões profissionais, o viés da autoconfiança excessiva ocorre quando líderes superestimam a precisão de seus julgamentos e a previsibilidade de suas ações.

Essa tendência costuma se intensificar em períodos de sucesso contínuo, quando resultados positivos reforçam a crença de que o discernimento individual é infalível.

Na liderança corporativa, esse viés reduz a disposição para ouvir outras opiniões, enfraquece práticas de governança e compromete a objetividade necessária às decisões estratégicas. Com o tempo, pode corroer o diálogo interno, limitar a inovação e distanciar executivos das equipes operacionais.

Em empresas familiares ou de gestão altamente centralizada, o risco é ainda maior. A figura do fundador ou principal gestor tende a se tornar incontestável, e o sucesso cria uma narrativa que legitima qualquer decisão, tornando o ambiente menos propenso à autocrítica.

É justamente nesse cenário que o conselho consultivo atua como antídoto à autossuficiência. Mais do que avaliar resultados e indicadores, ele desafia crenças, questiona certezas e estimula a reflexão sobre decisões que, à primeira vista, parecem inquestionáveis.

O papel do conselho consultivo na liderança corporativa

O conselho consultivo é, por natureza, um órgão de escuta e orientação. Sua função transcende a revisão de números e metas; trata-se de promover uma leitura mais profunda do comportamento organizacional.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), conselhos maduros ajudam a “revelar o que os números não mostram”, pois interpretam riscos humanos, dilemas éticos e aspectos culturais que influenciam diretamente a performance.

Ao orientar a liderança corporativa, o conselho cumpre três papéis complementares:

1. Guardião da humildade estratégica

O conselho é o espaço onde o líder pode (e deve), ser confrontado com perspectivas divergentes. Essa troca protege a empresa do isolamento intelectual e do pensamento único.

Conselheiros experientes exercem um papel semelhante ao de mentores: provocam a reflexão e ajudam o executivo a distinguir autoconfiança de arrogância. Eles mantêm a visão de longo prazo, mesmo quando os resultados imediatos parecem justificar decisões arriscadas ou desalinhadas à cultura organizacional.

2. Promotor da governança corporativa ativa

Governança não é apenas conformidade com normas é, sobretudo, uma mentalidade.

Quando o conselho atua de forma ativa, cria-se um ambiente onde prestar contas e receber feedback se tornam hábitos, e não imposições.

O conselho consultivo incentiva a disciplina de governança, trazendo metodologias de acompanhamento, revisão estratégica e análise de riscos.

Mais do que isso, ele mantém a humildade como valor organizacional, lembrando que nenhuma liderança é infalível, e que toda decisão deve ser vista à luz do coletivo.

3. Incentivador da aprendizagem contínua

Empresas que mantêm programas estruturados de mentoria e conselhos atuantes costumam apresentar maior capacidade de inovação e engajamento.

A interação entre conselheiros e executivos favorece um ambiente de aprendizado mútuo, no qual a escuta ativa, a curiosidade e a vulnerabilidade fortalecem a tomada de decisão e o desenvolvimento de lideranças.

Conselheiros com diferentes trajetórias de carreira ajudam a ampliar repertórios, compartilhar erros e acertos, e desenvolver uma cultura em que o aprendizado é constante.

Assim, o conselho torna-se o “espelho ético” da organização, aquele que ajuda o líder a olhar para si com sinceridade.

Conselhos consultivos e o equilíbrio entre ego e propósito

O ego, quando não regulado, é um dos principais sabotadores da liderança corporativa.

Com base na minha atuação, principalmente entre empresas familiares, reforço que a liderança eficaz é aquela que cultiva a autopercepção e, para isso, um sistema de feedback constante se faz necessário.

E o conselho consultivo atua exatamente nesse sistema. Ele oferece uma lente externa e isenta, que ajuda a ‘calibrar’ decisões e intenções.

Quando o conselho é composto por profissionais com sólida experiência em governança e gestão, ele tem a legitimidade necessária para trazer desconfortos produtivos, questionamentos que não se fazem dentro da rotina executiva.

Esse equilíbrio entre ego e propósito também é o que diferencia empresas que envelhecem bem daquelas que se desorganizam à medida que crescem.

Na prática, o conselho ajuda o líder a lembrar por que a empresa existe, e não apenas quanto ela lucra.

Quando a governança corporativa se torna exercício de humildade

A governança corporativa vai além de processos e auditorias, representa o compromisso de olhar para dentro com honestidade.

Empresas que incorporam humildade à governança tornam-se mais resilientes, pois reconhecem que o erro faz parte do caminho.

Elas revisam estratégias sem receio de retroceder e tratam o conselho como um espaço de aprendizado, não de punição.

Organizações que mantêm conselhos ativos tendem a antecipar riscos com maior eficiência e demonstram mais agilidade na correção de falhas estratégicas.

Quando atuam de forma integrada à liderança executiva, esses conselhos ampliam a capacidade de análise crítica e fortalecem a governança, tornando a empresa mais preparada para lidar com cenários de incerteza.

Essa humildade institucional sustenta decisões mais equilibradas, especialmente em períodos de crescimento acelerado.

Enquanto a autossuficiência cega, a governança lúcida ilumina, e é ela que assegura a sustentabilidade dos resultados ao longo do tempo.

Conselhos e o papel de mentoria executiva

Em organizações complexas, a pressão sobre os líderes é constante. O conselho consultivo, ao oferecer mentorias e conversas de alta confiança, ajuda esses executivos a manterem o equilíbrio emocional e estratégico.

A atuação de conselheiros experientes muitas vezes ultrapassa a agenda formal de reuniões: eles orientam, escutam e compartilham aprendizados de vida corporativa.

Esse acompanhamento cria um espaço seguro onde o líder pode admitir dúvidas, reconhecer limitações e buscar novas perspectivas sem o peso da exposição pública.

Na prática, o conselho atua como um guia, lembrando que liderança não é um exercício de poder, mas de serviço. A humildade, portanto, não é um traço de fraqueza, é uma competência de alta performance.

Humildade como vantagem competitiva

Preservar a humildade nas lideranças é um desafio que cresce na mesma proporção que o sucesso das organizações.

Em um cenário empresarial cada vez mais volátil, a capacidade de ouvir, reaprender e rever convicções é o que garante longevidade.

conselho consultivo é o guardião desse equilíbrio, é este órgão que traduz a governança corporativa em prática viva, promove o autoconhecimento organizacional e protege a liderança dos excessos do próprio êxito.

Empresas que se apoiam em conselhos atuantes mantêm-se fiéis a seus valores, mas abertas à transformação.

E é justamente essa combinação, de convicção e humildade, que faz com que alcancem não apenas o sucesso, mas a sabedoria necessária para sustentá-lo.

 

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